Textos Angelo Bruno

Poemas e outros textos do Professor Angelo Bruno

O homem só terá valor

Se a si mesmo ele domina

Quem da vida é senhor

Seu futuro predestina

Por muito tempo permaneceu viva esta figura lendária em Tocantiara. O Crispim era um sujeitinho anêmico, um verdadeiro Jeca Tatu. Trabalhava            de ajudante de pedreiro, caladão e tristonho. Um belo dia um companheiro descobriu que escondida entre os tijolos estava uma jararaca venenosa, então se apressou em espalhar a notícia para que o ofídio não picasse ninguém. Crispim com toda sua lerdeza disse:

_ Eu já tinha visto.

_E por que não avisou?

_Ninguém me perguntou!

No trabalho vivia cansado, pois a anemia o consumia. Foi ali que um amigo teve dó dele e segredou-lhe que conhecia um remédio infalível e barato, mas temia em ensiná-lo, pois tomado em excesso poderia ser pior que a anemia. Crispim encheu os peitos de ar e mostrou as costelas recobertas só de pele e exclamou: pode me ensinar sem medo, eu sou macho e muito macho e sei me controlar. Que o diga a sua esposa, com aquela fraqueza toda não fazia nada além de broxar. O amigo então completou: aqui o que conta, não é ser macho e muito macho; a pessoa tem que ser homem e muito homem para manter a palavra dada. Macho por macho, qualquer animal sexuado pode ser macho ou fêmea, sendo assim um simples animal.

_Chega de lorotas, me ensine logo este remédio, que eu estou ficando nervoso.

_Calma, se não pode dominar os seus nervos, como vai garantir que sabe controlar a sua

Vontade?

_Pronto, já pode explicar que eu sou todo ouvidos e estou calmo.

_Olha esse remédio que eu quero ensinar-lhe, é muito bom, se você souber usar, caso contrário torna-se um veneno.

_Homem de Deus, me explique logo que já não suporto mais de curiosidade.

O amigo estava com dúvidas, se contava ou não, depois compreendeu que o Crispim tinha direito de conhecer a verdade, senão a seguisse era questão dele.

_Deus queira mesmo que seja para o seu bem, vou ensinar-lhe o remédio, porém antes me prometa que irá usar a dosagem certa, para não tomar um veneno.

_Prometo tudo que o senhor quiser, parece que não confia em mim?

_Realmente, sou tentado a não confiar mesmo, contudo vou arriscar-me fazendo um ato de fé num irmão meu que está precisando de ajuda. Tomara que depois não me arrependa.

Assim explicou-lhe que o remédio consistia em comprar uma garrafa de “Chora Rita”, a pinga que circulava em Tocantiara naquelas eras. A dose certa era somente banhar o fundo do copo, ao máximo um dedo deitado, horizontalmente. Isto pela manhã, ao café; ao meio dia no almoço e a noite no jantar.      A cachaça sertaneja é rica em ferro, combatendo assim a triste anemia. O Crispim ficou feliz da vida, comprou logo a branquinha e, no começo, seguiu direitinho a receita que o amigo prescrevera. Já não era mais aquele sujeitinho caladão e triste. Realmente o remédio foi tiro e queda, pois a anemia estava sendo debelada. A vida familiar começava a ter sentido e a esposa agora tinha um marido. O que o amigo temia, aconteceu; o Crispim deixou-se trair pela gula. Não se satisfez de molhar o fundo do copo, no seu raciocínio de caipira, quanto mais tomasse maior seria o combate a anemia. Acontece que o álcool em demasia ataca o fígado e foi o que aconteceu. Não se satisfez mais de tomar só um dedo deitado, porém o pôs em pé, assim o copo enchia e não foi só nas três refeições, pois após um copo seguia um outro. O resultado não se fez esperar. De sujeito de natureza pacata, agora passou a fazer gracinhas, às vezes até inconvenientes, um verdadeiro macaquinho. Achava-se interessante. E não parava de beber, até que uns desaprovavam estas gracinhas sem graça, então partiu para agredir a mulher e os filhos, ameaçando a todos que o recriminassem. Achava-se na fase de leão; e a caninha continuava a ser consumida e o pobre homem não aguentou e despencou no meio da lama, rolando feito um porco.          Pobre Crispim, realmente não soube ser homem e muito homem porque foi escravo da cachaça e ela não brinca em serviço, faz de nós antes macaquinhos, depois leva a euforia de grandeza e nos tornamos valentes como leões; finalmente vem o sono e querendo ou não, nós caímos no chão rolando feitos porcos.

Esta é a triste sina de todos os Crispins que não são donos de si, mas escravos do vício.

Feliz Natal! Ecoa a cada instante nestes dias. Feliz Natal! Eu repito sentindo a paz brotar no meu coração. Afinal o que é Natal?

 

Vejo no presépio a imagem de um menino abrindo os braços e sorrindo para mim, e no comércio árvores enfeitadas com luzes coloridas e os mais criativos enfeites, enquanto um bom velhinho vestido de vermelho com gorro também vermelho e o orlado e o penacho brancos que combinam com a farta barba nívea que o tornam bem agradável, fazendo assim a felicidade de toda a criançada.

 

Eu paro e me pergunto: Como foi que tudo isso começou? E o que significa? E como o Menino Jesus se tornou árvore? E este Papai velhinho bonachão o que tem a ver com o Natal?

 

Bom, assim me contaram e eu repasso aos meus netinhos.

 

Lá em Belém na Judeia, Jesus nasceu numa gruta que abrigava uns animais, José e Maria que não tinham encontrado lugar nas hospedarias da cidade recolheram-se fora da cidade entre os pastores e ali num curral nasceu o Deus menino.

 

São Francisco de Assis no século XIII fez pela primeira vez a encenação deste fato através do presépio.

 

A árvore de Natal tem o significado na árvore da vida, como no Paraíso terrestre houve a árvore que trouxe o pecado a toda a humanidade, JESUS é a nova árvore que traz a salvação para todos. Esta árvore ( Jesus ) tem raízes no presépio.

 

Papai Noel é a representação da munificência do Bispo de uma cidade da Turquia -São Nicolau- que viveu nos primeiros séculos do cristianismo.

 

Na Igreja Oriental ele é bastante venerado. Conta a história que havia uma jovem que não tinha o enxoval para o casamento, por isso ela vivia muito triste. São Nicolau que era muito caridoso, porém não querendo aparecer, durante a novena do natal, arrumou tudo que se faz necessário para um casal e mandou entregar a noiva dizendo que era o Papai Noel que estava enviando. E assim o Papai Noel ficou conhecido no mundo inteiro como o bom velhinho que traz presentes para todas as crianças.

 

DESEJO QUE O MENINO JESUS REINE EM TODOS OS CORAÇÕES TORNANDO MAIS FELIZ O SANTO NATAL! QUE 2012 SEJA PLENO DE BOAS REALIZAÇÕES!

 

 

Angelo Bruno  - Araguaína-TO, 18-12-2012.

Desde pequeno sofro de CERATOCONE, uma doença degenerativa do olho. É uma distrofia da córnea, modificando-a para um formato de cone, podendo levar a cegueira.

 

Há mais de sessenta anos consultei com especialistas na Itália, eles descobriram a minha doença, porém confessaram que não teria cura para esta anomalia.

 

Migrei para o Brasil e na década de sessenta, sentindo a vista cansada consultei em Belo Horizonte, pois falava-se que a capital mineira era referência mundial em oftalmologia, que também confirmaram o diagnóstico dos médicos italianos.

 

Aqui em Araguaína já consultei com vários oftalmologistas e cada qual dava o seu ponto de vista: Um dizia que deveria cuidar do olho direito porque o esquerdo já estava perdido, outro reconhecia que provavelmente usando óculos de grau, poderia manter estável a visão e a doença não iria progredir; um terceiro reconheceu o CERATOCONE, mas até o momento não existia cura para a mesma. Outro médico também gabaritado na oftalmologia relatou-me que em Belo Horizonte havia um médico realizando essa cirurgia, pois o mesmo criara um anel, denominado de Anel de Ferrara, por levar o nome do referido médico. Todavia ele não tinha conhecimento do real sucesso. Sabia que o Dr. Paulo Ferrara é considerado um médico de renome na área oftálmica, conhecido até internacionalmente.

 

Acontece que quando eu lia, os óculos ficavam com as lentes embaçadas então eu devia tirá-los para conseguir decifrar as letras, foi aí que resolvi aposentar de vez os óculos, assim ia tentando ler mesmo com muitas dificuldades. Sabemos que criança não é de ficar calada e  gosta de rir do mal feito. Existiam moleques que fixando os olhos em mim viam meu olho esquerdo sempre fechado e sorriam com ares de gozação e ainda ficavam com aquelas “gracinhas” que nos deixam melancólicos. Eu sofria com tudo isso e sonhava em algum dia poder voltar a enxergar com o olho esquerdo e melhorar a visão do olho direito.

 

Agora, com mais de setenta anos aparecem também as cataratas para piorar a visão, tornando minha vista muito nebulosa. Assim fui forçado a consultar novamente com um especialista, alguns amigos indicaram-me o Dr. JOÃO ARRAES, do Instituto Olhar, um exímio especialista em Retina e Vítreo, assim fiz a consulta com ele e tive a grata surpresa de saber que a Dra. Tatiana Arraes, sua esposa, é especialista em Córnea e Doenças Externas, Visão Subnormal, etc… e que ela poderia tratar o Ceratocone. Sai da consulta muito otimista e pedindo a Deus que desse certo e eu pudesse me tratar aqui em Araguaína-TO.

 

Confesso que fui um felizardo. Esta jovem Doutora, após realizar todos os exames no Instituto Olhar, que está localizado no Espaço Saúde, assumiu a minha causa e hoje já estou com dois dias cirurgiado, e recuperando bem; graças a Deus, a Dra. TATIANA ARRAES com sua equipe e a minha família que custeou este implante do Anel de Ferrara em meu olho esquerdo. Para mim foi o melhor presente de Natal que já recebi! Esta foi a Primeira Cirurgia de CERATOCONE realizada em Araguaína. Só me resta dizer: OBRIGADO Dra. TATIANA! Deus a abençoe sempre! Tenha um Feliz e santo Natal ao lado de sua família! E um Ano Novo repleto de Realizações. Parabéns a toda equipe!

ANGELO BRUNO.( ARN, 16-12-2011 

 

Vida humana é inviolável

Ninguém deve a outro matar

A vingança é condenável

Quem perdoa sabe amar

Na redondeza nossa juventude sempre inventa um arrasta pé. Aconteceu que numa destas festinhas, lá pelas tantas da madrugada dois jovens se estranharam somente por causa de uma moça. Como acontece com todos os varões ninguém quer parecer menor, todos ambicionam agradar às damas e demonstrar coragem e força. Os dois já estavam meio dominados pelo licor que faz os fracos se exaltarem, ali um deu uma bofetada no rosto do companheiro. Quem apanhou não revidou, só disse: “Vai te custar caro este tapa” e foi para casa. Este que apanhou era açougueiro e fingiu esquecer o incidente. No comércio dele sempre reunia toda a redondeza quando matava uma rês. Contavam-se muitas aventuras, sobre tudo com caçadores de índios.

_Nesta semana, disse um, o Miguelzão tem derrubado com a sua garrucha, vários índios que rodeavam as nossas terras.

_Bem feito, uns a menos para roubar o nosso gado, completou outro.

_Fazia dó vendo como eles gemiam morrendo; dialogou o primeiro

_Que dó que nada! Onde se viu ter dó de gente ruim? Falou o açougueiro.

Nesse intervalo chegou também o que tinha batido no rosto do açougueiro, e, este vendo o chamou na frente de todos e cedendo-lhe a melhor parte do gado, disse-lhe: _ leva, guardei esta especialmente para você. Em seguida comentou:_ sabem que quando eu tenho um leitão para matar, gosto de cevá-lo bem.

Outra semana nova matança de gado, novo agrupamento de fregueses, novos comentários. Sabe, parece que os índios ficaram assanhados com a matança dos companheiros, foram vistos rondando nossas casas atirando flechas. Graças a Deus não atingiu nenhum cristão.

Um jovem que esteve calado até então, contou as façanhas de um caçador que matou uma onça, isto, graças a ousadia dos cachorros que a acuaram e atacaram em matilha. Enfim, chegou também o companheiro de briga do açougueiro; ao vê-lo o marchante deu-lhe um bom pedaço que havia posto de lado e: sabe que eu trato bem os meus porcos de engorda, falou, passando os bifes para a sua mão.

Todos acharam graça e o beneficiado levou a melhor carne, saindo satisfeito.

Isto se repetiu muitas e muitas vezes, até que um certo dia, o céu estava plúmbeo, em pleno mês de março, soprava um vento gélido e sinistro preanunciando tragédia.            O amigo do açougueiro chegou para comprar a carne bem cedinho. O marchante estava amolando as facas, que já cortavam igual às navalhas.

Ao vê-lo disse: _ vem mais perto, que eu quero ver se já estás bem cevado. Começou a palpá-lo, então o rapaz foi ficando nervoso e: _ O que é isto? O que estás fazendo?

O açougueiro com os olhos vermelhos, cuspindo raiva: _ Te lembras daquela noite, naquele baile que você me bateu?

_ Eu te bati? Quando foi isso?

_ Ah! Quem bate sempre esquece, mas quem apanha não esquece, e enfiando a faca degolou o rapaz e exclamou: _ É assim que eu mato os meus porcos cevados.

Os curiosos foram chegando e juntou muita gente, todos comentavam o fato , alguns aplaudindo; pois homem que é homem não bate na cara, que mamãe beijou, impunemente; outros condenavam a frieza e a barbaridade da vingança. Afinal um tapa nada mais é que um tapa, por que tanta crueldade?

Fato está que foi assim que morreu o valentão esquecido, cevado pelo seu próprio algoz, enquanto uma chuva torrencial desabava sobre esse povoado, embrenhado nas matas do então interior Norte Goiano, lavando o sangue derramado por um jovem retirante. O açougueiro escapuliu de fininho, largando tudo nas mãos dos irmãos. Ninguém mais soube do paradeiro dele, mas tenho certeza que a sua consciência nunca mais terá paz.

Quanta selvageria acontece

Se não correr nas veias o perdão

Com a vingança tudo estremece

Se não souber controlar a paixão

 

Com tal requinte e fria crueldade

Vem de um alguém sem civilização

Demonstra muito cálculo e maldade

Um ser assim, não pode ser cristão

 

Toda paixão nos leva ao mau caminho

Quem não pensa,  para  raciocinar

Destrói o lar, sem saber o que é carinho

 

Desiludida a humanidade implora:

Pela paixão não se deixe levar

O que se faz, retorna a nós na hora

Angelo Bruno

Como é triste o ser humano

Que se entrega ao casuísmo

Chega a ser tão desumano

O terrível  entreguismo

Naqueles anos acontecia um fato curioso. Muitas pessoas vinham à Igreja e pediam ao Padre para benzer umas velas que traziam. Eram feitas com cera de abelhas e de resina. O Padre no começo as abençoava, porém ao ver a grande multidão que o procurava começou a desconfiar que alguma coisa de estranho estivesse acontecendo e resolveu perguntar o porquê dessas velas bentas. Responderam que é porque estava próximo de acontecer uma grande escuridão, onde apareceria a Besta Fera para atacar e devorar quem não tivesse uma vela benta acesa.

O pior que a Besta fera existia mesmo e eram os que aproveitavam da escuridão e da ignorância para devorar o pouco que os incautos tinham reunido nestes anos a fio. Alguns meses depois apareceu outra conversa; dizia-se que haveria uma grande invasão das águas, um novo dilúvio e que só se salvaria quem fosse morar lá no alto do morro, onde se cultuava uma cruz que havia pertencido a um beato falecido. O padre viajando naquelas bandas subiu o dito morro em que haviam construído uma capela e no altar veneravam uma cruz bem rudimentar, uma cruz de madeira lavrada a facão de mais ou menos quinze por oito centímetros. Nela havia a escrita “Sata Cruis bedita”.

O padre a levou consigo, porque era venerada não pelo Cristo, que nela havia morrido, mas pelo beato que a fez e usou. Quantos largaram tudo e seguiram esses messias que mal soletravam, todavia tinham um carisma muito forte e sabiam arrastar os mais fracos, sempre ameaçando que o fim do mundo estava perto e garantiam salvação a quem os seguissem. Hoje ainda existem, em carne e osso; são os que se aproveitam da simplicidade e da ignorância do povo para dilapidar os que teem mentalidade fraca e se deixam arrastar por estas verdadeiras “Bestas Feras” em pleno século XXI. Há Bestas feras que são verdadeiros sacos sem fundos, que nunca se saturam, mesmo com salários de verdadeiros marajás. Os romeiros ainda acreditam na Bandeira verde, seguem tangidos pela superstição e dizimados pelas epidemias, sendo constantemente explorados pelas Bestas feras de todos os tempos.

A mais verdadeira história é difícil ser contada

Cada qual tem sua memória e a história é adulterada

Quanta gente já morreu perseguindo uma quimera

Pobre gente andando ao léu ao fugir da Besta Fera

É preciso conhecer quem é o guia dessa lida

Não se deixe envolver entregando a sua vida